Contextualização

O jogo se passa numa versão um pouco modificada do cenario de Tormenta, no ano de 1390.

As batalhas esparsas entre humanoides não eram os únicos conflitos em Lamnor — nem mesmo eram o conflito mais importante. Muito antes do nascimento de Thwor Punho de Ferro uma guerra mais longa e sangrenta estava em andamento: elfos contra hobgoblins. Uma possível explicação para o início desta guerra confunde-se com o próprio surgimento do povo élfico na ilha-continente de Lamnor.
Os elfos são a raça humanoide mais antiga de Arton, e por esse motivo muito pouco se conhece sobre sua origem. Dizem que, ao contrário dos humanos — nascidos em Lamnor pela vontade dos deuses antes de rumar para o norte —, os elfos vieram de longe. Chegaram pelo oceano em barcos enormes, desembarcando na costa oeste de Lamnor e dando início à construção de Lenórienn (“Novo Lar” em seu antigo idioma), capital da nação élfica.
É uma história controversa; quando interrogados a respeito, os elfos não confirmam, nem negam. O território escolhido pelos elfos para estabelecer sua nação era ocupado por hobgoblins, raça nativa do local. Descontentes com aquelas inconvenientes criaturas presentes em sua nova morada, os elfos iniciaram então uma caçada implacável aos hobgoblins para “limpar” a área escolhida. Incapazes de enfrentar as flechas e a mágica dos elfos, os goblinoides foram então forçados para o sul. Livres das criaturas, os elfos iniciaram então a construção da gloriosa cidade de Lenórienn.
A derrota surtiu um efeito curioso sobre os hobgoblins. Talvez por instinto de sobrevivência, a raça começou a desenvolver novas armas e ferramentas, dominando técnicas antes conhecidas apenas pelos humanos. No espaço de apenas alguns séculos, os hobgoblins se tornaram o povo goblinoide mais desenvolvido de Lamnor em armamentos e máquinas de guerra.

Embora o poder da nação élfica fosse inquestionável, suas relações com os reinos vizinhos não eram das melhores. Khinlanas, o regente elfo da época, recusava a visita de emissários e não permitia a passagem de rotas comerciais através de território élfico. Seu governo se baseava em isolar os elfos de todas as outras raças — a própria raça élfica se considerava perfeita, evitando contato com “raças inferiores”. Tamanha arrogância e xenofobia irritaram os humanos que habitavam Lamnor na época, que desistiram de qualquer relação diplomática e passaram a ignorar a presença dos elfos na região. Foi assinado um tratado entre as nações humanas vizinhas a Lenórienn; de acordo com o Tratado de Lamnor, nenhum reino humano próximo a Lenórienn poderia interferir nos assuntos élficos e vice-versa. Para o bem ou para o mal. Coincidência ou não, os hobgoblins retomaram a ofensiva pouco depois da assinatura do Tratado. E desta vez as coisas foram diferentes. Enquanto a confiança excessiva dos elfos deixou-os despreparados para a guerra, o esforço dos hobgoblins em desenvolver nova tecnologia foi recompensado.
O ataque repentino das imensas e assustadoras máquinas de guerra por pouco não derrubou Lenórienn. Desta vez sem condições de expulsar os hobgoblins, os elfos podiam apenas se defender. A Infinita Guerra atravessou os séculos sem pender para um lado… Até a chegada dos bugbears e seu comandante Thwor Punho de Ferro.

Thwor sabia que os hobgoblins dominavam técnicas avançadas de combate; entretanto, também sabia da guerra que estes goblinoides travavam contra os elfos. Enquanto este conflito não terminasse, o general bugbear não teria chance de incluir os hobgoblins em suas fileiras. Além disso, a própria Lenórienn poderia ser fonte de problemas para o seu avanço. Então Thwor fez sua primeira jogada de mestre. Primeiro ele recuou os exércitos presentes no território de Remnora, simulando o que parecia ser uma retirada. Liderando um terço de suas tropas, o líder dos bugbears rumou até uma área de conflito entre elfos e hobgoblins. O bugbear se aproveitou da extrema autoconfiança dos elfos e de um descuido da guarda pessoal da corte para penetrar em Lenórienn e raptar a princesa Tanya, a filha do regente Khinlanas.
A prisioneira elfa foi oferecida ao comando hobgoblin como prova da boa vontade: Thwor anexaria imediatamente suas forças ao dos hobgoblins e ajudaria a derrubar a cidade dos elfos de uma vez por todas. Em troca, eles se juntariam aos exércitos de Thwor no restante da campanha para aniquilar as cidades humanas do continente. Estava formada a Horda Negra.

O rapto da princesa Tanya de dentro do próprio palácio real foi um golpe duro demais para o regente elfo Khinlanas e seus súditos. Desmoralizados, em inferioridade numérica, e encurralados ante a selvageria da Aliança Negra, os elfos tombaram. Lenórienn caiu.
Respeitando o Tratado, nenhum reino humano se envolveu no confl ito. Mesmo quando as torres da outrora gloriosa cidade élfi ca queimaram, iluminando a noite de Lamnor, nenhum reforço foi enviado. Os elfos que se recusaram a fugir (ou não conseguiram) foram cruelmente assassinados. A cabeça de Khinlanas foi suspensa no centro da antiga cidade, como um estandarte da vitória hobgoblin. Hoje a área correspondente a Lenórienn foi rebatizada com o nome de Rarnaakk e pertence aos hobgoblins, como parte do acordo com Th wor.
Atualmente os elfos são um povo sem pátria e repleto de mágoa. Boa parte dos sobreviventes fugiu para o norte, em direção a Arton, prevendo o massacre que viria a seguir. Talvez por rancor, quase nenhum elfo sobrevivente se importou muito em alertar os outros reinos sobre os planos de conquista da Aliança Negra — e aqueles que o fi zeram não foram levados a sério.

Contextualização

Horda Negra Khaldorgas Khaldorgas